Cursos, assessoria e consultoria antifraudes. Como identificar golpes mesmo sem os documentos em mãos. Tipos de golpistas e golpes identificados na praça. Como se prevenirem dos golpes e dos golpistas.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
INDÚSTRIA QUASE CAI EM GOLPE DE MAIS DE 120 MIL
Uma indústria, com dezenas de lojas espalhadas pela cidade, recebeu pedido de mais de R$ 120.000,00.
O comprador seria outra empresa.
O endereço fornecido era uma mansão, que foi visitado pelo vendedor e causou ótima impressão.
A empresa tinha até site na internet, bem elaborada e até com lista de clientes, a maioria, grandes empresas, muito conhecidas e conceituadas na praça.
Solicitado para fazer levantamentos, foi verificado que a empresa compradora nada tinha a ver com o segmento dos produtos pedidos e pela quantidade, era impossível ser para uso interno.
Checando a situação dela, tinha até registro na Receita Federal, mas estava totalmente irregular, apesar de constar como ATIVA. Usaram CNPJ de outra empresa, desativada.
Reativaram a empresa com outra razão social e novos sócios, com endereço diferente.
Consultando alguns amigos empresários, conseguimos algumas informações, fomos checar e a maioria delas se confirmaram.
A empresa era na verdade, uma arara, constituída em nome de laranjas e os responsáveis eram figuras conhecidas na cidade, até nos meios esportivos e tinham uma rede de “casas noturnas”, vulgo, “inferninhos”, que seriam os destinatários finais dos produtos.
Era uma triangulação muito bem elaborada, se não cometessem tantos erros primários e que muitas vezes, não são percebidas pelas vítimas.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
IDENTIDADES
Alguns Estados usam Dígitos Verificadores nas identidades (RG).
Esses DV passaram a ser utilizados a partir dos modelos informatizados e cada Estado usa uma fórmula diferente para consistir os documentos.
Na maioria dos documentos falsos identificados no mercado, esses DV eram inválidos.
Muitas tentativas de golpes foram esclarecidas por telefone, só com o número do RG e Estado emissor e nos casos mais complexos, com algumas outras informações, portanto, nem era preciso o encaminhamento da cópia dos documentos para análise.
E temos visto inúmeras contas bancárias abertas com esse tipo de fraude, bem como inúmeros créditos liberados e os credores só se darão conta, quando receberem intimações em processos por danos morais.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
LEVA MAIS DE UMA DEZENA DE VEÍCULOS DA CONCESSIONÁRIA
Uma concessionária de veículos estava tendo problemas e tinha perdido mais de uma dezena de veículos, levados por um cidadão estabelecido na cidade.
Era uma pessoa sem históricos negativos e ele estaria “comprando” os veículos para revender.
Levava um veículo, vendia e pagava a concessionária. Assim fazia, até aumentarem o seu limite de crédito, quando de repente, numa madrugada, ele estaciona cegonheiras e carrega todos eles, inclusive um carro importado e um caminhão.
Tinha queixas policiais espalhadas por diversas delegacias, quando fui visitar um amigo, escrivão, em uma delas.
Ele comentou que estavam atrás de um sujeito, dono de uma empresa e que ele sumira sem deixar rastros. Uns diziam que ele tinha fugido para Miami, outros diziam que estava na Paraguai, quando perguntei o nome e a empresa.
Quando ouvi, disse que era só ler os jornais dos últimos meses que ele localizaria o sujeito. Na delegacia, eles recebiam jornais diariamente, mas não os arquivavam.
Ele simplesmente contratou uma transportadora, não pagou, e estava sendo protestado. Tinha edital publicado nos principais jornais.
Era só entrar em contato com esta transportadora e saber o destino.
Elementar, meu caro Watson.
E ainda pagamos salários dos policiais e funcionários públicos para eles ficarem se coçando.
Alguns dos carros ele já tinha vendido a terceiros de boa fé, mas os outros conseguiram recuperar.
Ele não usava documentos falsos, a empresa não era fantasma.
Ficamos sabendo posteriormente, que ele freqüentava diariamente os bingos espalhados pela cidade, até perder todo o seu patrimônio.
O seu maior medo, é que devia a agiotas e temia pela sua vida.
Temos conhecimento de outros empresários que trabalharam a vida toda, construíram um patrimônio respeitável e perderam tudo no vício do jogo (bingo).
E ainda tem gente defendendo a legalização dos jogos de azar, ou pessoas dizendo que bingo não é jogo de azar, que é lazer ou diversão.
DIRETOR DO SPC RECEBE CHEQUE CLONADO
Um Diretor do SPC publicava mensalmente no jornal da entidade, minhas matérias antifraudes, com minha autorização.
Conversando com uma funcionária da entidade, fiquei sabendo que ele acabou recebendo um cheque “clonado”, na verdade, um cheque falso, de correntista inexistente.
Liguei para a empresa dele e ele me pergunta se ficou sabendo do caso. Falei que sim e perguntei como ocorrera o fato.
Disse que uma cliente muito bem “apessoada”, não sei em que sentido, apareceu numa camionete e escolheu as mercadorias.
Era uma pessoa muito simpática e comunicativa, não tendo aparência de golpista. Pagou com cheque pelas mercadorias, e a indignação maior, foi porque ele carregou as mercadorias até a camionete e agradeceu com um “muito obrigado e volte sempre”.
Depositado o cheque, voltou com alínea 35.
Perguntei se ele estava com o cheque, ele disse que estava na gaveta, pedi para pegar.
Perguntei:
- Está com o cheque em mãos?
Ele responde:
- Sim.
Pedi para ele molhar um dos dedos e perguntei se tinha feito isso. Ele respondeu que sim.
Pedi então que passasse o dedo molhado sobre o nome da correntista e nº do CPF e perguntei:
- Manchou?
Ele responde:
- Manchou.
Falei então, esta fraude era fácil de ser detectada. Este cheque foi falsificado com impressora jato de tinta e nenhum banco usa este tipo de impressora.
Nota: Quanto à cliente bem “apessoada”, creio que as virtudes estavam em outros locais.
GOLPE DO CHEQUE NO MICROONDAS
Este também é velho, mas continua sendo usado.
As vítimas são titulares de contas bancárias.
Malandros usam cheques preenchidos e assinados, emitidos por correntistas. As fontes para acesso a estes cheques são diversos, como pagamento em lojas ou estabelecimentos que usam impressoras a laser para preenchimento e trocam estes cheques com intermediários ou fornecedores, etc.
De posse destes cheques, os malandros usam fontes de calor, como forno microondas, ou outros, que soltam as partes preenchidas.
As impressoras a laser usam tonner, que é uma tinta em pó. Este pó é fixado a quente, portanto, com calor, também se solta.
Depois de limpa as partes preenchidas, colocam valores muito maiores para aplicarem os golpes.
As impressoras mais seguras eram as matriciais, que raramente são utilizadas hoje em dia, por questões de produtividade e necessidades do mercado. Hoje, as mais usadas são a jato de tinta e laser.
Evitem a gentileza dos estabelecimentos e prefiram preencher de próprio punho, com caneta própria e recusem canetas de desconhecidos, pois poderão ser vítimas de outro golpe, que são das canetas que apagam após alguns dias.
GOLPE DO BISTURI – ESTE É TÃO VELHO...
Tem instrutores comentando nos cursos até hoje, sobre cheque delaminado, como se fossem a última novidade.
Isso ocorreu na década de 90 e hoje a realidade é completamente diferente.
Este golpe era chamado também, de cheque cirúrgico.
Malandros se apoderavam de cheques já preenchidos e tiravam a primeira camada da folha do cheque, de tal forma que a parte do verso ficasse intacta.
Retiravam a parte que interessavam a eles, como, os valores dos cheques, por exemplo. Colavam no local, pedaços de outros cheques em branco e preenchiam os valores originais, para valores muito maiores e sacavam nos bancos.
A parte colada era tão perfeita que ninguém conseguia observar a emenda.
Para tanto, usavam colas não granuladas para não aparecerem saliências nos locais colados. Normalmente, usavam esperma como cola.
Para identificação destes cheques, bastavam dobrar o cheque e esfregar nas mãos, que as partes coladas se soltavam.
NEGARAM CREDIÁRIO PARA SAPATO E GOLPISTA COMPRA CARRO
NEGARAM CREDIÁRIO PARA SAPATO E
GOLPISTA COMPRA CARRO
Uma analista liga e pergunta:
- Você não tinha comentado no
curso, que as identidades do Espírito Santo tem algumas particularidades, tais,
tais e tais?
Respondi, falei sim.
Pois estou com uma identidade que
o cliente apresentou, que não tem nada disso que você comentou no curso.
Falei então, para ela fazer todos
os procedimentos normais, consultasse o banco de dados que eles usam, fosse
para uma sala reservada e me ligasse para maiores esclarecimentos.
Assim ela fez.
Passou-me todas as
características do documento e pedi para ela demorar mais que o normal,
sentasse e relaxasse e perguntei se era possível visualizar o comportamento do
cliente na loja.
Ela disse que não, pois estava no
depósito.
Isso foi num sábado à tarde.
Na segunda-feira ela liga
novamente e diz:
- Lembra do cliente que atendi no
sábado?
Respondi:
- Lembro sim.
Pois quando saí do depósito e
voltei à loja, ele tinha sumido, deixou todos os documentos e não voltou mais.
Como estava perto, fui até a loja
e vi que a identidade era realmente falsa. Os comprovantes de renda e de
residência também eram falsos.
Após alguns meses, ao consultar
um banco de dados, ele tinha comprado um veículo, financiado por uma grande
financeira e já estava negativado.
Não pagou nenhuma parcela.
Resultado. Teve crédito negado
para um par de sapatos, mas liberaram um veículo.
BANCO ABRE CONTA COM DOCUMENTOS FALSOS E RESSARCE LOJISTA
BANCO ABRE CONTA COM DOCUMENTOS
FALSOS E RESSARCE LOJISTA
Durante um curso, um dos
participantes expôs uma situação que estava sofrendo.
Ele tinha uma pequena loja de
informática. Um cliente fez um pedido de micro que ficou em mais de R$ 3.000,00
e pagou com cheques pré-datados.
Apresentou o primeiro cheque na
data combinada, voltou sem fundos e não conseguia mais contato com o cliente.
Pedi que levasse os cheques no
dia seguinte.
Pelos dados dos cheques, falei
que a conta foi aberta com documentos falsos, pois o RG que constava no cheque
não existia. Era um número de Mato Grosso, com numeração superior a 4.500.000.
Perguntei se gostaria de receber
estes cheques do Banco.
Proposta aceita, falei que
iríamos ao banco conversar com a gerente de contas.
Chegando lá, pedimos para
conversar com a gerente e uma funcionária falou que era com ela mesma.
Expusemos a situação e pedimos informações sobre o cliente, conforme o Art. 25,
da Resolução Nº
1682, do Banco Central.
ART. 25. O BANCO SACADO É OBRIGADO A
FORNECER, QUANDO SOLICITADO PELO
PORTADOR DE CHEQUE DEVOLVIDO PELOS MOTIVOS 11 A 14,
21, 22 E 31, TODAS AS INFORMAÇÕES QUE PERMITAM A IDENTIFICAÇÃO E A LOCALIZAÇÃO
DO EMITENTE.
Esta funcionária disse que o
Banco não prestava informações, mesmo com a normativa do Banco Central e mandou
ir atrás dos nossos direitos.
Fomos atrás dos nossos direitos.
Em menos de duas semanas, a
gerente da agência ligou ao lojista, toda gentil, dizendo que ficou sabendo da
nossa presença na agência e perguntou por que não fomos falar diretamente com
ela.
O lojista disse que fomos para
falar com ela e a funcionária barrou a nossa pretensão e mandou ir atrás dos
nossos direitos e assim o fizemos.
Ela informou que estava
analisando os fatos e que daria retorno nos próximos dias.
Na semana seguinte, ela liga
novamente, toda atenciosa e diz:
- Estamos analisando os fatos e
daremos resposta brevemente.
Na outra semana liga novamente e
diz:
- Pode passar na agência que o
dinheiro está à disposição.
O Banco pagou o valor total dos
cheques.
Muitas vezes, não corremos atrás
dos nossos direitos por desconhecimento.
Obs: O artigo 25 da Resolução
1682 foi alterado pelo Art. 6º da Resolução Nº 3.972
Existem inúmeras contas bancárias
abertas com documentos falsos e aqueles que recebem estes cheques, jamais
imaginam que isso possa ocorrer.
FALECIDA COMPRAVA PELA INTERNET E A ENTREGA NÃO ERA NO CEMITÉRIO
FALECIDA COMPRAVA PELA INTERNET E A ENTREGA NÃO ERA NO
CEMITÉRIO
Uma empresa iniciou vendas pela internet. No primeiro
pedido, descobriram que a “cliente” era uma pessoa falecida.
Fomos alertados e fizemos levantamento dos locais por onde
já tinha passado. Tinha uma compra grande, liberado por uma financeira.
Ligamos à financeira e alegaram que a loja já tinha entregue
as mercadorias. Eram móveis para quarto e colchão.
Na outra empresa, a entrega seria realizada no dia seguinte.
Era chuveiro e artigos para banheiro.
As vendas pela internet eram enxovais de quarto e banho.
Provavelmente, a “cliente” estava se sentindo desconfortável
no túmulo, deitada num piso frio e duro e sem fazer higiene há semanas.
NASCEU EM DOIS ESTADOS DIFERENTES NO MESMO DIA, DA MESMA MÃE E PAI DIFERENTE
NASCEU EM DOIS ESTADOS DIFERENTES NO MESMO DIA, DA MESMA MÃE
E PAI DIFERENTE
Uma operadora estava pagando contrato aprovado pela
financeira, quando apareceram inconsistências na identidade.
Mandaram e-mail e em menos de dois minutos foi identificado
como falso.
Pesquisando o CPF usado, foi constatado que era de um médico
de Salvador-BA, que nada tinha a ver com o comprador.
Os seus dados pessoais foram clonados indevidamente e
falsificaram uma identidade de um Estado onde jamais residiu.
Conferiam CPF, data de nascimento e nome da mãe. O resto era
tudo falso. Inventaram o nome do pai e local de nascimento.
Como todos os bancos de dados baseiam somente no CPF para
suas pesquisas, as empresas usam isso para liberação e se esquecem que a
identificação tem que ser feita na identidade. Aí, os falsários encontram um
campo fértil para os golpes.
No próprio cartão do CPF consta que “deve ser apresentado
junto com um documento de identificação”.
Se o vendedor não souber distinguir um documento falso de um
verdadeiro, não será com consultas ao CPF que ele estará seguro, pois os bancos
de dados sempre informarão: Nada Consta ou Registrado.
Isso significa que existem registros ou não nos CPF
informados. Jamais significaram: Podem Vender ou Não Podem Vender.
Como o mercado não toma juízo, vemos milhares de ações por
danos morais em tramitação pelo país.
Cremos também, que grande parte dos processos indenizatórios
por danos morais contra o Estado (Receita Federal), de duplicidade na emissão
de CPF, sejam de situações semelhantes.
Muitos advogados não procuram se inteirar objetivamente dos
fatos, antes de entrarem com estas ações e muitas empresas negativam os
clientes antes de fazerem levantamentos mais cuidadosos. Para a maioria destas
empresas, não pagou, é inadimplente.
Não conseguem distinguir inadimplente, de golpista.
Nestes casos, a responsabilidade não cabe ao Estado, e sim, às
empresas que liberaram tais vendas ou créditos, sem verificarem a autenticidade
dos documentos apresentados.
CARECA AOS 15 ANOS
CARECA AOS 15 ANOS
Uma empresa ligou, pois estavam com dúvidas sobre uma
liberação de vendas.
O cliente insistia muito em retirar as mercadorias imediatamente
e a loja tinha como praxe, entregar no endereço informado.
Pedi os dados pessoais do cliente e pedi para verem na foto
do RG, se ele tinha aparência de 15 anos.
A supervisora disse que não, a aparência na foto era atual,
mais de 35.
Falei que não podia ser, pois quando ele tirou a identidade,
ele estava com quinze anos.
A supervisora até brincou, dizendo que ele estava careca na
foto, igual ao seu gerente.
Pedi para encaminharem cópia da identidade e foi observado
que a foto estava trocada.
Pedi para não liberarem a venda, pois estava adulterado.
Mais tarde, a loja conseguiu falar com o verdadeiro e ele
tinha perdido a identidade.
Alerta: Não coloquem o CPF na identidade e não carreguem
na mesma carteira todos os documentos.
O novo RIC vai facilitar a vida dos bandidos.
ESTAVA EM SALVADOR E FAZIA COMPRAS A MAIS DE 1.500 KM.
ESTAVA EM SALVADOR E FAZIA COMPRAS A MAIS DE 1.500 KM.
E não eram pela internet e nem por televendas.
Certa ocasião, uma entidade de classe encaminhou e-mail,
pois estava com dúvidas com uma identidade que estava sendo usada para compras
na cidade.
Pelo número do RG foi verificado que era um documento falso.
Liguei para a casa dele e sua mãe informou que ele estava
trabalhando e só voltaria à noite.
Perguntei se ele estava viajando e ela disse que ele estava
em Salvador-BA.
A compra estava sendo feita a mais de 1.500 km. da sua
residência.
DEFICIENTE COMPROU CARRO E NEM SABIA ANDAR DE BICICLETA
DEFICIENTE COMPROU CARRO E NEM SABIA
ANDAR DE BICICLETA
Certa ocasião, ao visitar uma
financeira, presenciei uma cena chocante.
Um pai, senhor humilde, estava
desesperado, pois recebeu carta de cobrança em nome do seu filho, deficiente
intelectual, de um carro que ele teria comprado.
Ele estava acompanhado do filho e
dizia que o rapaz não tinha condições nem de andar de bicicleta, quanto mais,
comprar um carro.
Dava para se notar claramente o
desespero deste senhor.
Tudo levava a crer que os dados do
rapaz teria sido usado indevidamente para financiar o veículo.
A financeira, por seu lado, com toda
a tecnologia disponível, não conseguiu identificar a fraude?
Isso ocorre com maior freqüência que
se imagina.
Só numa operadora, conseguimos
detectar quase 40 casos em poucos meses.
DIRETOR DE PERNAMBUCO ASSINOU IDENTIDADE DO PARANÁ
DIRETOR DE PERNAMBUCO ASSINOU
IDENTIDADE DO PARANÁ
Uma empresa em Balneário Camboriú –
SC encaminhou e-mail.
Estavam abrindo cadastro para um
cidadão.
Pela cópia da identidade anexada,
foram detectadas diversas inconsistências.
Era uma identidade do Paraná, com
chancela de um Diretor em Pernambuco e com nome de um Diretor falecido em
Sergipe.
O número do RG era inválido.
O nome e o CPF usado eram de um
cidadão sem restritivos, morador na região.
“EMPRESÁRIO MILIONÁRIO” CONSTRUÍA MANSÃO COM IDENTIDADE FALSA
Um “empresário” estava construindo uma mansão e a empresa de
materiais de construção tinha destacado uma decoradora exclusiva para
atendê-lo.
Era um cliente indicado por uma “autoridade”.
Os materiais de acabamento eram exclusivos, fabricados
especialmente para o “cliente”.
Tinha crédito ilimitado nos cartões de crédito, até que ele
“comeu bola” e a empresa nos procurou.
Os documentos que ele usava eram falsos. Estava usando CPF e
nome de terceiro, que nada tinha a ver com ele e tinha falsificado uma
identidade de Santa Catarina.
O verdadeiro foi localizado a mais de 400 km de distância.
Diante do fato, a empresa alertou as administradoras dos
cartões e estes foram cancelados.
Passados alguns dias, o gerente da loja passou em frente da
“empresa” dele e estava com as portas fechadas.
CARIOCAS VIAJAVAM DE AVIÃO PARA “COMPRAR” NOTEBOOK
E não era para o Paraguai.
Anos atrás, foi presa uma quadrilha de estelionatários
cariocas.
Desembarcavam no aeroporto, hospedavam-se nos hotéis da
cidade e iam às “compras”.
Desta vez, o líder estava acompanhado de um principiante,
que veio aprender as “técnicas” utilizadas.
Levados à delegacia, o delegado pergunta por curiosidade, o
porquê de sair do Rio de Janeiro e vir atuar a mais de mil quilômetros de
distância.
Com naturalidade, o líder responde:
- É que esta praça é um ótimo local de trabalho.
Realmente, é uma cidade com tamanho de metrópole, porém, com
mentalidade e comportamento provinciano.
CLIENTE AMEAÇA LOJA POR DANOS MORAIS
O “cliente” entrou na loja “indignado”, dizendo que estava sendo cobrado por uma dívida que não contraíra, que nunca tinha comprado naquela loja e que iria entrar com ação por danos morais.
A analista atendeu o cidadão, entrevistou-o e viu que a dívida nem tinha vencido ainda. Ela informou que as ligações só são feitas após 60 dias de atraso, perguntou o nome da pessoa que estaria ligando e ele não soube informar.
Tirou cópia dos documentos, do comprovante de residência e verificou que todos os dados conferiam com as informações cadastrais.
A analista estranhou os argumentos do “cliente” e encaminhou os documentos para análise.
A identidade estava dentro dos padrões, porém, foi constatado que era ideologicamente falsa. Foi passada esta informação à loja.
Passadas algumas semanas, receberam intimação. Compareceram, mas o “cliente” nem apareceu na audiência.
A empresa poderia acionar por falsidade ideológica e estelionato.
EQUIPOU A BMW DA LOCADORA
Uma locadora alugou diversos veículos aos sócios de uma “empresa”, inclusive uma BMW.
Ao volante da BMW, o sujeito entrou numa loja de acessórios e mandou equipar o possante.
Instalou rodas novas, som, e tudo que tinha direito e sumiu.
Sumiu não, sumiram.
Eles tinham constituído a empresa com documentos falsos, abriram diversas contas bancárias e operavam na cidade há algum tempo.
Todas as fraudes eram primárias e facilmente detectáveis.
LOCADORA “FURTA” O PRÓPRIO CARRO ALUGADO
Uma locadora de veículos alugou um Pólo novo e não foi devolvido.
Procurado pela locadora, foram constatados que os documentos usados eram falsos.
Passado algum tempo, receberam ligação da polícia de outro Estado, dizendo que tinha sido localizado, estava apreendido e tinha sido usado em crime.
Deslocaram para lá e constataram que era um carro “clonado”.
Passados alguns anos, receberam denúncia anônima, dizendo que o veículo estava circulando por uma cidade no interior de São Paulo.
Deslocaram para lá, procuram pela cidade toda e nada de localizar o veículo.
Cansados, resolveram voltar, mas antes, entraram num shopping para uma última verificação.
Ao entrarem no estacionamento, numa vaga exclusiva, o que viram
- O Pólo.
Perguntaram a quem pertencia e mostraram a foto do “cliente”.
Confirmaram que era o próprio.
Aguardaram alguns momentos, abriram o carro e trouxeram de volta.
No dia seguinte, receberam ligação do “locatário” perguntando como descobriram o paradeiro do veículo.
Disseram que foi por investigação interna e não deram muita atenção ao elemento.
Foi constatado que o elemento seria um agente policial da cidade.
FEZ RESERVA DE HOTEL E SACOU NO CAIXA
No início da década de 90, quando ainda não era popular o microcomputador, e os meios de comunicação ainda eram o velho telefone analógico e o fax, um hotel da cidade recebeu uma ligação de uma “empresa” de outro Estado, solicitando reserva para o seu funcionário. Alegaram que o funcionário estava a caminho da cidade e que precisava de reserva para “n” dias e que incluísse as despesas com alimentação no orçamento.
Fornecido o valor total das despesas, o elemento disse que iria até o banco e que mandaria o comprovante do depósito em seguida.
Assim foi feito. Mandou via fax, a cópia do depósito “em dinheiro”.
Passados algumas horas, chega um elemento dizendo que era funcionário da “empresa”. Perguntou se a empresa tinha confirmado a reserva e o pagamento da hospedagem. Diante da resposta afirmativa, ele disse que o carro sofrera um acidente na entrada da cidade e que precisava providenciar um guincho para rebocar o veículo, mas estava sem os recursos necessários $$$.
Pediu adiantado um valor X, dizendo que ligaria à empresa para repor o valor emprestado.
Adiantaram o valor, e o elemento saiu.
... e não voltou.
Passados alguns dias, ficaram sabendo que o depósito “em dinheiro”, era na verdade, depósito em “cheque” roubado.
CHEQUE DA LOIRONA BONITONA CHEGA AO BANCO COM VALOR ALTERADO
A caixa de uma concessionária Ford ligou às 9,30 da manhã e perguntou se tinha algum tipo de golpe novo na praça.
Respondi que tinham muitos e perguntei o porquê da pergunta.
Ela explicou um fato ocorrido no dia anterior à tarde, quando um sujeito apareceu e disse que veio trocar um cheque da fulana de tal, no valor de tanto, do banco tal, e que a cliente tinha emitido por engano este cheque e a conta neste banco estava sem saldo suficiente.
Disse que iria pagar em dinheiro, colocou a mão no bolso e tirou um pacote de notas de R$ 50,00 e R$ 100,00 e deu a ela o valor correspondente.
Ela, diante do argumento e como ele tinha informado o nome da cliente, do banco e do valor do cheque, inocentemente, devolveu o cheque.
Pedi para ligar imediatamente ao Banco e mandassem sustar o pagamento deste cheque, pois era realmente um golpe. Pedi que retornasse a ligação assim que fizesse este procedimento.
Passado quase uma hora, ela retorna a ligação. Disse que assim que abriu a agência, apareceu o sujeito para descontar o cheque e o valor tinha sido alterado de pouco mais de duzentos reais para mais de três mil reais.
Perguntado se ela tinha observado se na hora que a cliente preencheu o cheque tinha alguém na fila observando-a, ela informou que a cliente foi atendida na sala Vip.
Pedi para falar com a encarregada do setor. A responsável informou que realmente tinha uma pessoa observando-a e que até tinha feito um comentário:
- Que “loirona bonitona”
Só que o sujeito não estava interessado na “loirona bonitona”, e sim, no cheque da “loirona bonitona”
Fica o alerta a todos.
Quando forem preencher cheques, vejam se não estão sendo observados, mesmo que vocês não sejam “loironas bonitonas”.
Outro cuidado: cuidado com os cheques preenchidos por máquinas das lojas. Muitas lojas dispõem de máquinas preenchedoras de cheques para facilitar e agilizar o processo. Estas máquinas usam tonner, que é pó, e são fixadas a quente. Isso podem ser facilmente removidos e alterados para valores muito maiores, principalmente nas lojas que trocam estes cheques com terceiros.
CLONARAM CHEQUE DO MEU VIZINHO
CLONARAM CHEQUE DO MEU VIZINHO
Um vizinho, pequeno lojista me chamou e perguntou:
- Já viu cheque clonado?
Respondi:
- Muitos.
Ele me mostrou a cópia do cheque.
A gerente do banco onde ele opera, ligou e pediu para cobrir um cheque que estava sendo descontado.
Ele alegou que o saldo estava positivo e pediu o número e o valor do cheque apresentado.
Para seu espanto, o número informado ainda estava no seu talonário.
Tinham clonado um cheque com todos os seus dados, inclusive com número de cheque em seu poder.
Pedi para fazer levantamento de todos os cheques emitidos e para quem foram emitidos.
Ele alegou que só emite cheques para fornecedores.
SACARAM MAIS DE DEZ MIL NO BANCO, SEM SEU CONHECIMENTO
SACARAM MAIS DE DEZ MIL NO BANCO, SEM SEU CONHECIMENTO
O sujeito foi sacar um cheque na boca do caixa. Era um cheque de mais de 10 mil reais.
O gerente ligou à empresa e pediu para falar com o Sr. Fulano de tal.
Do outro lado da linha, veio a resposta:
- Sou eu mesmo.
Aí o gerente explicou que tinha uma pessoa na agência com um cheque...
Antes do gerente continuar, ele perguntou:
- É o cheque número tal, no valor de tanto
O gerente confirmou e o sujeito disse:
- Pode pagar.
Assim foi feito.
Passados alguns dias, o verdadeiro titular da conta foi reclamar no banco que havia divergências no saldo.
O gerente explicou que ligou para ele e que ele tinha confirmado o pagamento do cheque.
Só que o verdadeiro titular da conta não tinha atendido esta ligação.
Fizeram análise no cheque e foi constatado que era falso. Foram clonados os dados do verdadeiro correntista.
Quanto à ligação feita pelo gerente, foi constatado que os estelionatários abriram a caixa telefônica do bairro, grampearam o telefone e ficaram aguardando a ligação do banco.
ENVELHECIMENTO PRECOCE. TINHA 25, COM APARÊNCIA DE 50
Uma analista ligou, pois o cheque tinha voltado com a alínea 35.
Pelos dados fornecidos, foi perguntado se a pessoa estaria na faixa etária entre 25 a 28 anos. A analista alegou que a pessoa tinha mais de 50. Aleguei que não podia ser, pois pelo número do RG, tinha que estar na primeira faixa etária.
Ela alegou também, que fez todos os procedimentos e tinha ligado para as referências e estas confirmaram conhecer o “cliente”.
Depois que o cheque voltou, ela refez as ligações.
No primeiro telefone, a pessoa alegou que aos sábados, trabalhavam até as 12,00 horas e a ligação tinha sido feita às 18,00 horas, portanto, nesta hora, não havia ninguém no estabelecimento.
No segundo telefone, alegaram que não trabalhavam aos sábados.
Fazendo levantamentos, foi constado que os estelionatários abriram a caixa telefônica instalada na outra esquina, grampearam os telefones usados como referências e ficaram aguardando as ligações
PATRÃO AMEÇA DESCONTAR CHEQUE CLONADO DO SALÁRIO DA FUNCIONÁRIA
A analista da loja ligou desesperada, pois liberou uma venda e estava desconfiada do cheque recebido.
Alegou que fez todos os procedimentos, consultou bancos de dados de informações e até ligou para as referências e estas confirmaram conhecer o “cliente”.
No dia seguinte, refez estas ligações e o primeiro telefone era de uma igreja, e a pessoa alegou desconhecer o nome fornecido.
O mesmo aconteceu no segundo telefone.
Diante disso, falei que só restava aguardar a resposta do banco.
Passados alguns dias, ela ligou novamente.
O cheque tinha voltado com a alínea 35.
Pedi todas as informações cadastrais e foi encaminhada inclusive, a cópia da identidade apresentada. Foi constatado que era falsa.
Pesquisando, foi descoberto que foram usados dados de um professor universitário que tinha perfil em rede social. Neste perfil, tinha nome completo, foto, endereço e telefone divulgados.
Só que o seu endereço, ficava a mais de 400 quilômetros do local da compra.
IDENTIDADE FALSA, COMPROVANTES FALSOS
IDENTIDADE FALSA, COMPROVANTES FALSOS
Infelizmente, grande parte das empresas que trabalham com crediários, usam métodos que eram eficientes há duas décadas, mas hoje, a realidade é totalmente diferente.
Normalmente, quando são concedidos créditos, a exigência das empresas é a apresentação de identidade, CPF, comprovantes de residência e de renda.
Muitos se baseiam na renda apresentada para liberação dos créditos.
Imaginam que, se os valores das prestações não ultrapassarem um percentual “X” da renda, as chances de inadimplência diminuem.
Consultam bancos de dados, e se não houverem restrições, aprovam os créditos.
Aí que mora o perigo.
Todos os golpistas sabem deste procedimento e apresentam horerith de empresas conhecidas e com uma boa renda.
Como a maioria não consegue diferenciar identidade falsa de uma verdadeira, os golpistas apresentam RG falso, comprovante de renda e de residência falsos e muitas vítimas ainda nos procuram, dizendo que os documentos eram “originais” ou “autenticados”.
Muitos, ainda afirmam que ligaram para as referências e estas confirmaram conhecer o “cliente”.
Os golpistas estão sempre se aprimorando e os lojistas não estão acompanhando a nova realidade.
DEPARTAMENTO ANTIFRAUDES
Ao visitar a diretoria de um grande banco, fui apresentado ao responsável pelo departamento antifraudes.
O nome do cargo era pomposo, em inglês.
Ele me convidou a conhecer o departamento e fez questão de mostrar o trabalho executado pelo setor.
Depois de passar por duas portas de segurança com cartões e senhas, eis que adentro a sala de trabalho.
Era uma sala enorme, com milhares de pastas sobre as mesas.
Curioso, pergunto se todos aqueles processos eram para pré-análise e ele me responde que são todos, casos já ocorridos.
Até me mostra um processo e diz que provavelmente foi utilizada identidade falsa. Ao ver a cópia do documento, respondi que é falsa com toda certeza, pois pela data de emissão daquele documento, o modelo do RG era outro.
Fiquei deveras decepcionado, pois o departamento não deveria se chamar antifraudes e sim, pós fraudes.
NADA CONSTA
Muitos lojistas imaginam que somente consultas aos bancos de dados são suficientes para liberação de créditos.
Existem dois bancos de dados mais utilizados no país e nenhum deles avalizam as vendas. Simplesmente informam se existem restrições ou não, nos CPF consultados.
Se no próprio cartão do CPF consta que deve ser apresentado junto com um documento de identificação, não serão somente pelo CPF que os créditos poderão ser liberados.
Muitos não se dão conta do enorme volume de identidades falsas circulando pelo mercado. Não são somente RG, mas também, CNH e identificações de exercícios profissionais.
Esses desconhecimentos dos lojistas levam milhares de vítimas a entrarem com ações por danos morais contra eles.
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