Antifraudes-171
Cursos, assessoria e consultoria antifraudes. Como identificar golpes mesmo sem os documentos em mãos. Tipos de golpistas e golpes identificados na praça. Como se prevenirem dos golpes e dos golpistas.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
INDÚSTRIA QUASE CAI EM GOLPE DE MAIS DE 120 MIL
Uma indústria, com dezenas de lojas espalhadas pela cidade, recebeu pedido de mais de R$ 120.000,00.
O comprador seria outra empresa.
O endereço fornecido era uma mansão, que foi visitado pelo vendedor e causou ótima impressão.
A empresa tinha até site na internet, bem elaborada e até com lista de clientes, a maioria, grandes empresas, muito conhecidas e conceituadas na praça.
Solicitado para fazer levantamentos, foi verificado que a empresa compradora nada tinha a ver com o segmento dos produtos pedidos e pela quantidade, era impossível ser para uso interno.
Checando a situação dela, tinha até registro na Receita Federal, mas estava totalmente irregular, apesar de constar como ATIVA. Usaram CNPJ de outra empresa, desativada.
Reativaram a empresa com outra razão social e novos sócios, com endereço diferente.
Consultando alguns amigos empresários, conseguimos algumas informações, fomos checar e a maioria delas se confirmaram.
A empresa era na verdade, uma arara, constituída em nome de laranjas e os responsáveis eram figuras conhecidas na cidade, até nos meios esportivos e tinham uma rede de “casas noturnas”, vulgo, “inferninhos”, que seriam os destinatários finais dos produtos.
Era uma triangulação muito bem elaborada, se não cometessem tantos erros primários e que muitas vezes, não são percebidas pelas vítimas.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
IDENTIDADES
Alguns Estados usam Dígitos Verificadores nas identidades (RG).
Esses DV passaram a ser utilizados a partir dos modelos informatizados e cada Estado usa uma fórmula diferente para consistir os documentos.
Na maioria dos documentos falsos identificados no mercado, esses DV eram inválidos.
Muitas tentativas de golpes foram esclarecidas por telefone, só com o número do RG e Estado emissor e nos casos mais complexos, com algumas outras informações, portanto, nem era preciso o encaminhamento da cópia dos documentos para análise.
E temos visto inúmeras contas bancárias abertas com esse tipo de fraude, bem como inúmeros créditos liberados e os credores só se darão conta, quando receberem intimações em processos por danos morais.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
LEVA MAIS DE UMA DEZENA DE VEÍCULOS DA CONCESSIONÁRIA
Uma concessionária de veículos estava tendo problemas e tinha perdido mais de uma dezena de veículos, levados por um cidadão estabelecido na cidade.
Era uma pessoa sem históricos negativos e ele estaria “comprando” os veículos para revender.
Levava um veículo, vendia e pagava a concessionária. Assim fazia, até aumentarem o seu limite de crédito, quando de repente, numa madrugada, ele estaciona cegonheiras e carrega todos eles, inclusive um carro importado e um caminhão.
Tinha queixas policiais espalhadas por diversas delegacias, quando fui visitar um amigo, escrivão, em uma delas.
Ele comentou que estavam atrás de um sujeito, dono de uma empresa e que ele sumira sem deixar rastros. Uns diziam que ele tinha fugido para Miami, outros diziam que estava na Paraguai, quando perguntei o nome e a empresa.
Quando ouvi, disse que era só ler os jornais dos últimos meses que ele localizaria o sujeito. Na delegacia, eles recebiam jornais diariamente, mas não os arquivavam.
Ele simplesmente contratou uma transportadora, não pagou, e estava sendo protestado. Tinha edital publicado nos principais jornais.
Era só entrar em contato com esta transportadora e saber o destino.
Elementar, meu caro Watson.
E ainda pagamos salários dos policiais e funcionários públicos para eles ficarem se coçando.
Alguns dos carros ele já tinha vendido a terceiros de boa fé, mas os outros conseguiram recuperar.
Ele não usava documentos falsos, a empresa não era fantasma.
Ficamos sabendo posteriormente, que ele freqüentava diariamente os bingos espalhados pela cidade, até perder todo o seu patrimônio.
O seu maior medo, é que devia a agiotas e temia pela sua vida.
Temos conhecimento de outros empresários que trabalharam a vida toda, construíram um patrimônio respeitável e perderam tudo no vício do jogo (bingo).
E ainda tem gente defendendo a legalização dos jogos de azar, ou pessoas dizendo que bingo não é jogo de azar, que é lazer ou diversão.
DIRETOR DO SPC RECEBE CHEQUE CLONADO
Um Diretor do SPC publicava mensalmente no jornal da entidade, minhas matérias antifraudes, com minha autorização.
Conversando com uma funcionária da entidade, fiquei sabendo que ele acabou recebendo um cheque “clonado”, na verdade, um cheque falso, de correntista inexistente.
Liguei para a empresa dele e ele me pergunta se ficou sabendo do caso. Falei que sim e perguntei como ocorrera o fato.
Disse que uma cliente muito bem “apessoada”, não sei em que sentido, apareceu numa camionete e escolheu as mercadorias.
Era uma pessoa muito simpática e comunicativa, não tendo aparência de golpista. Pagou com cheque pelas mercadorias, e a indignação maior, foi porque ele carregou as mercadorias até a camionete e agradeceu com um “muito obrigado e volte sempre”.
Depositado o cheque, voltou com alínea 35.
Perguntei se ele estava com o cheque, ele disse que estava na gaveta, pedi para pegar.
Perguntei:
- Está com o cheque em mãos?
Ele responde:
- Sim.
Pedi para ele molhar um dos dedos e perguntei se tinha feito isso. Ele respondeu que sim.
Pedi então que passasse o dedo molhado sobre o nome da correntista e nº do CPF e perguntei:
- Manchou?
Ele responde:
- Manchou.
Falei então, esta fraude era fácil de ser detectada. Este cheque foi falsificado com impressora jato de tinta e nenhum banco usa este tipo de impressora.
Nota: Quanto à cliente bem “apessoada”, creio que as virtudes estavam em outros locais.
GOLPE DO CHEQUE NO MICROONDAS
Este também é velho, mas continua sendo usado.
As vítimas são titulares de contas bancárias.
Malandros usam cheques preenchidos e assinados, emitidos por correntistas. As fontes para acesso a estes cheques são diversos, como pagamento em lojas ou estabelecimentos que usam impressoras a laser para preenchimento e trocam estes cheques com intermediários ou fornecedores, etc.
De posse destes cheques, os malandros usam fontes de calor, como forno microondas, ou outros, que soltam as partes preenchidas.
As impressoras a laser usam tonner, que é uma tinta em pó. Este pó é fixado a quente, portanto, com calor, também se solta.
Depois de limpa as partes preenchidas, colocam valores muito maiores para aplicarem os golpes.
As impressoras mais seguras eram as matriciais, que raramente são utilizadas hoje em dia, por questões de produtividade e necessidades do mercado. Hoje, as mais usadas são a jato de tinta e laser.
Evitem a gentileza dos estabelecimentos e prefiram preencher de próprio punho, com caneta própria e recusem canetas de desconhecidos, pois poderão ser vítimas de outro golpe, que são das canetas que apagam após alguns dias.
GOLPE DO BISTURI – ESTE É TÃO VELHO...
Tem instrutores comentando nos cursos até hoje, sobre cheque delaminado, como se fossem a última novidade.
Isso ocorreu na década de 90 e hoje a realidade é completamente diferente.
Este golpe era chamado também, de cheque cirúrgico.
Malandros se apoderavam de cheques já preenchidos e tiravam a primeira camada da folha do cheque, de tal forma que a parte do verso ficasse intacta.
Retiravam a parte que interessavam a eles, como, os valores dos cheques, por exemplo. Colavam no local, pedaços de outros cheques em branco e preenchiam os valores originais, para valores muito maiores e sacavam nos bancos.
A parte colada era tão perfeita que ninguém conseguia observar a emenda.
Para tanto, usavam colas não granuladas para não aparecerem saliências nos locais colados. Normalmente, usavam esperma como cola.
Para identificação destes cheques, bastavam dobrar o cheque e esfregar nas mãos, que as partes coladas se soltavam.
NEGARAM CREDIÁRIO PARA SAPATO E GOLPISTA COMPRA CARRO
NEGARAM CREDIÁRIO PARA SAPATO E
GOLPISTA COMPRA CARRO
Uma analista liga e pergunta:
- Você não tinha comentado no
curso, que as identidades do Espírito Santo tem algumas particularidades, tais,
tais e tais?
Respondi, falei sim.
Pois estou com uma identidade que
o cliente apresentou, que não tem nada disso que você comentou no curso.
Falei então, para ela fazer todos
os procedimentos normais, consultasse o banco de dados que eles usam, fosse
para uma sala reservada e me ligasse para maiores esclarecimentos.
Assim ela fez.
Passou-me todas as
características do documento e pedi para ela demorar mais que o normal,
sentasse e relaxasse e perguntei se era possível visualizar o comportamento do
cliente na loja.
Ela disse que não, pois estava no
depósito.
Isso foi num sábado à tarde.
Na segunda-feira ela liga
novamente e diz:
- Lembra do cliente que atendi no
sábado?
Respondi:
- Lembro sim.
Pois quando saí do depósito e
voltei à loja, ele tinha sumido, deixou todos os documentos e não voltou mais.
Como estava perto, fui até a loja
e vi que a identidade era realmente falsa. Os comprovantes de renda e de
residência também eram falsos.
Após alguns meses, ao consultar
um banco de dados, ele tinha comprado um veículo, financiado por uma grande
financeira e já estava negativado.
Não pagou nenhuma parcela.
Resultado. Teve crédito negado
para um par de sapatos, mas liberaram um veículo.
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